Se eu fosse noite
Hoje eu estaria nua
Sem lua, sem estrelas
As estradas estariam sem carros
As praças sem amantes
O horizonte sem cor
Meu céu estaria nublado
E minhas nuvens carregadas
Choveriam o meu lamento
O vento estaria parado
Os mares estariam opacos
Sem luz pra refletir
As ruas estariam sem postes
As mariposas estariam sem asas
E as casas, sem janelas
As donzelas estariam cansadas
De esperar, de sorrir
As crianças com medo de dormir
Se eu fosse noite
A escuridão seria tanta, mas tanta
Que os olhos deixariam de brilhar
O mundo inteiro seria um poço profundo
Toda dor fecunda
Toda alma imunda
Eu seria noite e o amor (em mim) se extinguiria
Amordaçado & sufocado
Nesta melancolia amarga .
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17 de janeiro de 2011
21 de dezembro de 2010
Peso morto
Sou o peso sobre os seus papeis
O tijolo que esmaga seus sonhos
Sou a aliança dos infiéis
Seu velho hábito enfadonho
Ponho abaixo seu balão
Sou chá gelado em tarde fria
Da sua fé eu sou pagão
Sua eterna teoria
Tenho alergia ao seu incenso
Sou o pigarro do seu cigarro
Fujo de tudo que é intenso
Você amarra e eu desamarro
Mas minha fuga é consistente
Peso morto não sente dor
Se sua verdade porventura mente
Eu não quero morrer de amor
Minha entrega é comedida
Tenho alma de ateu
Pra não ser uma Julieta ferida
Sacrifico meu Romeu.
O tijolo que esmaga seus sonhos
Sou a aliança dos infiéis
Seu velho hábito enfadonho
Ponho abaixo seu balão
Sou chá gelado em tarde fria
Da sua fé eu sou pagão
Sua eterna teoria
Tenho alergia ao seu incenso
Sou o pigarro do seu cigarro
Fujo de tudo que é intenso
Você amarra e eu desamarro
Mas minha fuga é consistente
Peso morto não sente dor
Se sua verdade porventura mente
Eu não quero morrer de amor
Minha entrega é comedida
Tenho alma de ateu
Pra não ser uma Julieta ferida
Sacrifico meu Romeu.
7 de fevereiro de 2010
Simbiose

O ar sem teu cheiro me é rarefeito
Beijar sem teu gosto
Tem gosto do medo de ser deposto
Do posto de teu
Mas quando tu respiras meu ar
E se deleita com meu beijo
Quando tu correspondes ao meu arfar
E quando tu deitas tua cabeça em meu peito
Em teu peito eu sinto
Que teu corpo
Responde aos meus estímulos
E meu corpo
Sustenta tua carne, teus ossos
E teus músculos
Que se contraem ao menor relance
Do meu olhar.
24 de janeiro de 2010
A cidade insone

O sono desce as avenidas
Banhadas do sangue inocente
De algum indigente
Esquecido na sarjeta
Quem sabe, com um tiro na cabeça,
Esperando pela morte
Já que a sorte não vem
Sem freio, o sono se esconde
Nas esquinas
Sob a saia das meninas
Que as tiram por qualquer tostão
Pra qualquer barão
Que minta bem
E troque falsas esperanças
Por uma trepada de graça
Nas esquinas
Sob a saia das meninas
Que as tiram por qualquer tostão
Pra qualquer barão
Que minta bem
E troque falsas esperanças
Por uma trepada de graça
Tangido pela fome,
O sono some nas vielas
Em busca de abrigo,
Mas o céu chove sobre as pontes
E as crianças debaixo delas
Choram com frio e com medo
De que o resto de suas vidas
Seja um beco sem saída
O sono some nas vielas
Em busca de abrigo,
Mas o céu chove sobre as pontes
E as crianças debaixo delas
Choram com frio e com medo
De que o resto de suas vidas
Seja um beco sem saída
O sol já vai surgindo,
Mas o sono ainda vaga
Entre as putas humilhadas
E os pobres exilados
Que dormem nas calçadas
Onde os gritos sussurrados
E as atrocidades impunes
Só a cidade testemunha
Em suas madrugadas insones.
Mas o sono ainda vaga
Entre as putas humilhadas
E os pobres exilados
Que dormem nas calçadas
Onde os gritos sussurrados
E as atrocidades impunes
Só a cidade testemunha
Em suas madrugadas insones.
21 de janeiro de 2010
Rotas
Paixão é estrada longa
Que percorro nas curvas
Do seu corpo molhado
Meu suor é chuva
Que molha seu corpo
Ao longo da estrada
Seu corpo é mapa
Escrito em braile
Que me guia
Entre o vale dos seus seios
Para atalhos do prazer,
Perto da perdição.
Que percorro nas curvas
Do seu corpo molhado
Meu suor é chuva
Que molha seu corpo
Ao longo da estrada
Seu corpo é mapa
Escrito em braile
Que me guia
Entre o vale dos seus seios
Para atalhos do prazer,
Perto da perdição.
17 de janeiro de 2010
Poesia de bar (pra engarrafar a saudade)
A neve que cai em minha janela
Lembra sua caspa em meu moletom
Minha panela com molho vencido
Lembra a cor do seu batom
Que lembra sua boca em meu ouvido
Cantando fora de tom
O refrão que não para de tocar
No jukebox do bar
O meu despertador
É seu cachorro latindo
O toque do meu celular
É seu tango argentino
As contas no meu cartão
São vestígios dos vestidos
Que você comprou pra eu rasgar
No banheiro sujo do bar
Encontrei o disco arranhado
Da nossa primeira lambada
Lembrei da dança em seu ventre
Da lambida em seu umbigo
Das noitadas de domingo
Do seu corpo como o copo
Que matava minha sede
Longe das mesas de bar
Seu cabelo ainda está na minha escova
Sua roupa ainda está para lavar
Seu olhar me encara no retrato
E sua voz me fala, na secretária eletrônica,
Que nós não estamos
Mas que vamos voltar
Por isso que eu, cansado de mim
Eu espero por nós no chão desse bar.
Lembra sua caspa em meu moletom
Minha panela com molho vencido
Lembra a cor do seu batom
Que lembra sua boca em meu ouvido
Cantando fora de tom
O refrão que não para de tocar
No jukebox do bar
O meu despertador
É seu cachorro latindo
O toque do meu celular
É seu tango argentino
As contas no meu cartão
São vestígios dos vestidos
Que você comprou pra eu rasgar
No banheiro sujo do bar
Encontrei o disco arranhado
Da nossa primeira lambada
Lembrei da dança em seu ventre
Da lambida em seu umbigo
Das noitadas de domingo
Do seu corpo como o copo
Que matava minha sede
Longe das mesas de bar
Seu cabelo ainda está na minha escova
Sua roupa ainda está para lavar
Seu olhar me encara no retrato
E sua voz me fala, na secretária eletrônica,
Que nós não estamos
Mas que vamos voltar
Por isso que eu, cansado de mim
Eu espero por nós no chão desse bar.
18 de dezembro de 2009
Síndrome de Raul
Sou a mosca na sua sopa
Sou a roupa daquela moça
Que você sempre quis ver nua
Sou a mosca no seu ouvido
Sou o zumbido insuportável
Que o impede de dormir
Sou a mosca na sua merda
Que pousa na sua comida
E lhe provoca indigestão
Sou a mosca morta
Parada na sua porta
Implorando por seus restos
Mas você nunca me nota.
Sou a roupa daquela moça
Que você sempre quis ver nua
Sou a mosca no seu ouvido
Sou o zumbido insuportável
Que o impede de dormir
Sou a mosca na sua merda
Que pousa na sua comida
E lhe provoca indigestão
Sou a mosca morta
Parada na sua porta
Implorando por seus restos
Mas você nunca me nota.
14 de dezembro de 2009
Passional
Permanece nos lábios
O asco de um novo último beijo
Talvez o último dos últimos
Talvez ainda não
Mesmo o primeiro, fora uma vez o último
O último primeiro
O primeiro último beijo
Incerto como tudo em ti
Meus dedos te tocam e não te sentem
Só tu me sentes
[como lava crepitando em tuas veias]
Mas saber do teu prazer me é prazer suficiente
Ainda que não permeie tua alma
Ainda que não transponha a muralha
Que tu ergueste em tua volta
Para que ninguém o faça
Senão ela
Ela que te faz invisível
Quando és na verdade tudo que se vê
Quando estás por toda parte
Tu e teu cheiro entorpecente
[que excita e transmuta meu corpo]
Colônia, suor
Reconheço-te pairando no ar
Adentrando cada um dos meus poros
Impondo sobre mim a tua presença insubistancial
Ora cravada em meu peito
Ora fluindo em minha mente
Que vai minguando devagar
Até saciar-se de pensar em ti
Em teus braços sou somente tua
E até quando nos braços dele
Sou também um pouco tua
Porque quando tu te vais
Sumido dentro da tua retração amarga
Levas contigo um pouco de mim
Que vai se perdendo nos outros seios em que tu te afogas
Nas outras bocas que tu beijas
No conhaque que tu insiste beber
E eu vou ficando vazia
Vazia que mim e de ti
Das vezes que tu não voltas
O asco de um novo último beijo
Talvez o último dos últimos
Talvez ainda não
Mesmo o primeiro, fora uma vez o último
O último primeiro
O primeiro último beijo
Incerto como tudo em ti
Meus dedos te tocam e não te sentem
Só tu me sentes
[como lava crepitando em tuas veias]
Mas saber do teu prazer me é prazer suficiente
Ainda que não permeie tua alma
Ainda que não transponha a muralha
Que tu ergueste em tua volta
Para que ninguém o faça
Senão ela
Ela que te faz invisível
Quando és na verdade tudo que se vê
Quando estás por toda parte
Tu e teu cheiro entorpecente
[que excita e transmuta meu corpo]
Colônia, suor
Reconheço-te pairando no ar
Adentrando cada um dos meus poros
Impondo sobre mim a tua presença insubistancial
Ora cravada em meu peito
Ora fluindo em minha mente
Que vai minguando devagar
Até saciar-se de pensar em ti
Em teus braços sou somente tua
E até quando nos braços dele
Sou também um pouco tua
Porque quando tu te vais
Sumido dentro da tua retração amarga
Levas contigo um pouco de mim
Que vai se perdendo nos outros seios em que tu te afogas
Nas outras bocas que tu beijas
No conhaque que tu insiste beber
E eu vou ficando vazia
Vazia que mim e de ti
Das vezes que tu não voltas
10 de dezembro de 2009
Do remorso
I
Remói o cérebroébrio do tormento etílico
típico do poeta inventado
interpretado no desejo decadente
de ser regente da própria vida
vendida a preço de banana
porque a grana é curta
e o olho é grande.
II
Enfarto fulminante da pazque jaz na fumaça do fumo
- consumo que mata
consumindo a fome de morrer
- cadáver do sossego
no aconchego da mentira
e na mira da verdade.
Mordaça na boca da mente
dormente no silêncio
da iminência de falar
e entregar o pensamento mudo
com medo que os ouvidos do mundo
escutem os segredos imundos
entalados na boca do estômago.
4 de dezembro de 2009
Abiótico
No meu sonho mais lunático
Moro em território desértico
Onde tudo que nasce é de plástico
Onde todo sorriso é sarcástico
E todo amor é hipotético
Porque todo sentimento é bélico
Todo cristão é cético
Todo abraço é sintético
Todo mentiroso é mágico
Todo pagode é clássico
Todo mundo é estético
E o mundo todo é estático
O sexo é prático
O afeto é lógico
O coração é cáustico
Calcificado e analítico
Feito discurso de político
De partido democrático
Que promete ser fantástico
Mas deixa o cenário caótico
Pro povo se tornar mais católico
E ajudar o membro eclesiástico
Que vai ter um encontro orgástico
Com Jesus, o menino simpático
Que tem um pai neurótico
Por querer ser poético
Em território desértico
Onde ninguém é romântico
Onde o trabalho é robótico
O tráfico é público
O preconceito é pudico
O bom-senso séptico
E o anti-séptico é técnico
Consertando o nervo ótico
Pra perder o olhar crítico
E viver no automático.
Moro em território desértico
Onde tudo que nasce é de plástico
Onde todo sorriso é sarcástico
E todo amor é hipotético
Porque todo sentimento é bélico
Todo cristão é cético
Todo abraço é sintético
Todo mentiroso é mágico
Todo pagode é clássico
Todo mundo é estético
E o mundo todo é estático
O sexo é prático
O afeto é lógico
O coração é cáustico
Calcificado e analítico
Feito discurso de político
De partido democrático
Que promete ser fantástico
Mas deixa o cenário caótico
Pro povo se tornar mais católico
E ajudar o membro eclesiástico
Que vai ter um encontro orgástico
Com Jesus, o menino simpático
Que tem um pai neurótico
Por querer ser poético
Em território desértico
Onde ninguém é romântico
Onde o trabalho é robótico
O tráfico é público
O preconceito é pudico
O bom-senso séptico
E o anti-séptico é técnico
Consertando o nervo ótico
Pra perder o olhar crítico
E viver no automático.
1 de dezembro de 2009
Cher Antoine (após o bip)
Encontrei um recado na geladeira
Com sua declaração de amor
A sua secretária me mandou seus beijos
O delivery entregou o escargot
Que eu comi sozinha
Na nossa mesa de seis lugares
Com nossos talheres de prata
Usando um dos novos colares
Que sua mãe escolheu.
Recebi sua mensagem na minha caixa postal
Não se preocupe com a passagem
Vou trocar por uma viagem
De presente de natal
Que vou passar sozinha
Com a nossa árvore montada
Vendo as luzes da escada
Piscarem sobre meu vestido decotado
Que você não vai ver.
Descontei o cheque que você enviou
De aniversário de casamento
O gerente mandou lembranças
Sinto não poder entregá-las pessoalmente
É que eu vou pegar o seu dinheiro
E fugir com o carteiro
Que me come toda quarta
Enquanto eu leio suas cartas
Que algum poeta escreveu.
Com sua declaração de amor
A sua secretária me mandou seus beijos
O delivery entregou o escargot
Que eu comi sozinha
Na nossa mesa de seis lugares
Com nossos talheres de prata
Usando um dos novos colares
Que sua mãe escolheu.
Recebi sua mensagem na minha caixa postal
Não se preocupe com a passagem
Vou trocar por uma viagem
De presente de natal
Que vou passar sozinha
Com a nossa árvore montada
Vendo as luzes da escada
Piscarem sobre meu vestido decotado
Que você não vai ver.
Descontei o cheque que você enviou
De aniversário de casamento
O gerente mandou lembranças
Sinto não poder entregá-las pessoalmente
É que eu vou pegar o seu dinheiro
E fugir com o carteiro
Que me come toda quarta
Enquanto eu leio suas cartas
Que algum poeta escreveu.
27 de novembro de 2009
Pintura íntima II
Bebi do seu vinho tinta
E pintei meu coração com seu corante
Entreguei-me a sua boca faminta
Fotografei nosso melhor instante
Fui tela branca pro seu pincel
Deslizando sobre mim como se eu fosse um papel
Apaguei-me do jeito antigo
Pra me desenhar de um jeito novo contigo
Joguei fora todo o solvente do seu ateliê
Rasguei as telas do seu estoque
Pra que ninguém me apague de você
Pra que você nunca me troque
Pendurei meu quadro em seu pescoço
Nossa foto em seu mural
Faça do meu corpo o seu esboço
Da minha pele, seu avental.
23 de novembro de 2009
Pintura íntima
Uma boca mais vermelha
Jogo de sombra no olhar
Um retoque na orelha
Efeito-sol pra bronzear
Apagou o sorriso sofrido
Deixou o nariz mais estreito
Preencheu o decote do vestido
Com um pouco mais de peito
Afinou a cintura
Escureceu o cabelo na raiz
A mais bela criatura
Pincelada com verniz
Mas depois que chuva a veio
Todo trabalho foi perdido
O bonito voltou a ser feio:
Era tinta pra tecido.
Jogo de sombra no olhar
Um retoque na orelha
Efeito-sol pra bronzear
Apagou o sorriso sofrido
Deixou o nariz mais estreito
Preencheu o decote do vestido
Com um pouco mais de peito
Afinou a cintura
Escureceu o cabelo na raiz
A mais bela criatura
Pincelada com verniz
Mas depois que chuva a veio
Todo trabalho foi perdido
O bonito voltou a ser feio:
Era tinta pra tecido.
21 de novembro de 2009
15 de outubro de 2009
Pathos
Ele
Tão terno
Sem terno
Em cima de mim
Eu
Tão rouca
Sem roupa
Gritando que sim
Nós
Tão juntos
Em muitos
Orgasmos sem fim
Tão terno
Sem terno
Em cima de mim
Eu
Tão rouca
Sem roupa
Gritando que sim
Nós
Tão juntos
Em muitos
Orgasmos sem fim
23 de setembro de 2009
Dedos musicalizados
Renan (e su'as Obras do Chá) fez arte com meu poema amador!
Ele musicalizou e ficou muito lindo.
Escutem. As Cifras estão disponíveis no blog dele (link logo acima). Aliás, o blog dele é puro deleite.
E obrigada Renan, a gravação está ótima *-*
Dedos por Renan V. J. de Oliveira e Natália Corrêa:
Pra quem não conseguir ouvir, o link está aqui.
Ele musicalizou e ficou muito lindo.
Escutem. As Cifras estão disponíveis no blog dele (link logo acima). Aliás, o blog dele é puro deleite.
E obrigada Renan, a gravação está ótima *-*
Dedos por Renan V. J. de Oliveira e Natália Corrêa:
Pra quem não conseguir ouvir, o link está aqui.
20 de setembro de 2009
Dedos
que deslizam pelos teus cabelos,
dedos que se entrelaçam nos teus
dedos
que dedilham corda por corda
dedos que descansam na ponta dos teus
dedos
que falam sem emitir som,
dedos que falham ao mudar de tom
dedos que pintam estrelas no breu,
dedos que estralam quando encontram os teus
dedos
que me confessam os teus segredos
dedos que aparam, com melindre, esses
dedos de água ardente que escorrem
[dos meus olhos]
entre os meus dedos.
dedos que se entrelaçam nos teus
dedos
que dedilham corda por corda
dedos que descansam na ponta dos teus
dedos
que falam sem emitir som,
dedos que falham ao mudar de tom
dedos que pintam estrelas no breu,
dedos que estralam quando encontram os teus
dedos
que me confessam os teus segredos
dedos que aparam, com melindre, esses
dedos de água ardente que escorrem
[dos meus olhos]
entre os meus dedos.
28 de agosto de 2009
Antes do tempo
precipitadamente
jogo-me do precipício
precipitada, a mente
comete suicídio,
presa no velho princípio
de precipitar - chover
afogo-me em meu próprio dilúvio.
jogo-me do precipício
precipitada, a mente
comete suicídio,
presa no velho princípio
de precipitar - chover
afogo-me em meu próprio dilúvio.
17 de junho de 2009
5 de março de 2009
Poligamia
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