17 de janeiro de 2010

Poesia de bar (pra engarrafar a saudade)

A neve que cai em minha janela
Lembra sua caspa em meu moletom
Minha panela com molho vencido
Lembra a cor do seu batom
Que lembra sua boca em meu ouvido
Cantando fora de tom
O refrão que não para de tocar
No jukebox do bar

O meu despertador
É seu cachorro latindo
O toque do meu celular
É seu tango argentino
As contas no meu cartão
São vestígios dos vestidos
Que você comprou pra eu rasgar
No banheiro sujo do bar

Encontrei o disco arranhado
Da nossa primeira lambada
Lembrei da dança em seu ventre
Da lambida em seu umbigo
Das noitadas de domingo
Do seu corpo como o copo
Que matava minha sede
Longe das mesas de bar

Seu cabelo ainda está na minha escova
Sua roupa ainda está para lavar
Seu olhar me encara no retrato
E sua voz me fala, na secretária eletrônica,
Que nós não estamos
Mas que vamos voltar
Por isso que eu, cansado de mim
Eu espero por nós no chão desse bar.

37 comentários:

César Fernández disse...

Eu sabia que você não ia dormir...
u_u

Amor, esse vai pro livro, né?
:D

Uriálisson disse...

demais. soa humoristico,mas serio e bonito

Dandara disse...

um olhar me encara no espelho da mente

Mais um imundo no mundo impuro. disse...

Sua poesia tem ritmo, é música para os ouvidos.

Mariana Andrade. disse...

e era nele também que o cansaço só aumentava, quando no quarto o encontrava, depois de morrer-se num bar.

sempre revivíam juntos, não?

Tiago Moralles disse...

Bregamente falando é algo como o "fio de cabelo no meu paletó."

Renan V. J. de Oliveira disse...

eu realmente adoro musicalizar o que você escreve.

Sylvio de Alencar. disse...

Um prazer ouví-la.
Sua poesia corre como um riacho entre as pedras da floresta. Murmurante e cristalino. Refresca o coração (bem..., 'refrescar' não é bem o termo)..., melhor, evoca imagens e sentimentos que fazem parte dos que amam e/ou sentem falta de alguém.
Sou um ex frequentador de bar, gosto do ambiente.
Obrigado pela sua presença.
Um prazer vir até aqui.
Abrçs.

Tatiane Trajano disse...

E enquanto espero por nós, bebo mais uma garrafa...e outra, e outra..

Tatiane Trajano disse...

E enquanto espero por nós, bebo mais uma garrafa...e outra, e outra..

Charlie B. disse...

Vi-me nesse bar, engarrafando 1 ano de tantas coisas, e quando dei por mim, estava chorando com um copo de cachaça entre os dedos. ;*

Beijo moça,

Charlie B.

disse...

HAHA massa =DD

Jéssica disse...

Hmm.. gostei. Mas um cara que espera no chão do bar tem mesmo contas a pagar e um celular?

Então esse chegou no bar faz pouco tempo, hehehe.

Enfim, gostei :**

Felipe Braga disse...

E teu poema me deu vontade de ler para muitas pessoas.

Pra mim, seria como se fosse um exorcismo. rs

Beijos.

Segredos de Liquidificador disse...

muito legal seu poema!
Beijos Lívia

Natália Corrêa disse...

Jéssica, ele não está no chão do bar porque é pobre e não tem casa, mas porque está bêbado =P

Erica Ferro disse...

Seus poemas me fazem lembrar TANTO um certo alguém, mas TANTO *-*.
Ah, obrigada! É uma delícia ler teus poemas, teus contos...
Enfim, te ler toda!

Beijo.

A Magia da Noite disse...

a saudade que dói deve-se apagar, ou engarrafar e lançar no mar.

Alan Félix disse...

quantas vezes,o bar vai ser nossomelhor amigo para desabafar.

Jess disse...

E desse amor inventado, eu sonho não acordar.

D i c a disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
D i c a disse...

Amor decadente, humor e ainda teve rima. As rimas funcionam bem quando declamamos poesias.



Mesmo não comentando, venho sempre, leio e releio.
Gosto tanto do que escreve!
Mas quando chego aqui tem sempre muita gente dizendo tudo o que eu gostaria de dizer..
beijo

Vital disse...

significou muito pra mim o " por isso que eu, cansado de mim"
gostei muito.

Márcio Vandré disse...

Lembranças sempre a nos atentar.
Queria uma máquina para transformá-las em qualquer outra coisa.
Claro, as boas ficariam.
Um beijo!

Taffarel Brant . disse...

"Minha panela com molho vencido
Lembra a cor do seu batom
Que lembra sua boca em meu ouvido
Cantando fora de tom"

Lindo, lindo.

Katrina disse...

Toda vez que venho aqui, fico sempre um pouco e bem mais feliz. Tá me surpreendendo garota!

To tipo de poema para se embebedar e esquecer de toda e qualquer sobriedade

Katrina disse...

Toda vez que venho aqui, fico sempre um pouco e bem mais feliz. Tá me surpreendendo garota!

To tipo de poema para se embebedar e esquecer de toda e qualquer sobriedade

Roberto Borati disse...

uma poesia engarrafada, pronta para abrir e entrar na morte saborosamente etílica.

Luciana disse...

maravilhoso, como sempre.

Luciana disse...

Muito bom!
Tem sonoridade e rimas, além de falar de amor decadente de uma maneira até bem real.
Lembrei de duas músicas ao ler:

"vou engarrafar essa dor,
Vou engarrafar a saudade
Vou me embreagar de tristeza
Bendizendo ela vira beleza..."
(Eu não sou chico mas quero tentar - Teatro mágico)

e
"Eu vou cantar pra saudade
Com seu vestido vermelho
E a sua boca"
(Na Veia - Cordel do fogo encantado)

Adorei teus versos!
Beijo!

Tiago Fagner disse...

Nat, eu gemi por dentro com
"São vestígios dos vestidos
Que você comprou pra eu rasgar
No banheiro sujo do bar"...

Você é uma mulher falando de mulher, e conhece muito bem a alma da qual fala.

Bju e vai pro livro sim! ;)

Erica Vittorazzi disse...

Com você, até poesia de bar é bonita!!

Iasminne Fortes disse...

poesia, poesia, poesia! Me arrancou sorrisos mesmo com esse sensação de saudade que o texto passa.

=*

Marcel Hartmann disse...

Ai ai, to me cansando de te elogiar, hein!

Mário Mariones disse...

http://www.myspace.com/GARRAFAVAZIA

Lucas Lima disse...

muito bom...
Imagino-a na vida boêmia e artística, rsrs
Apesar de os bares terem perdido um pouco de sua "poesia" com os anos, né...
Bons dias

psf' disse...

adorei :)
to seguindo , bgs

Quem me segue (se perde comigo)