22 de março de 2008

Vamos falar de saudade;

Fagner disse um dia que saudade não se explica, que bate no coração e fica, fica dentro do peito, fica um cheiro, um cheiro de alguém da gente, que arde e dói bem diferente. Uma vez eu li que saudade é uma pagina arrancada, o soluço de uma amada, um navio a naufragar. Mas Chico, o nosso buarque de todos os dias, nos disse em melodia que saudade é um pedaço, uma parte do que ja foi todo. A metade amputada que dói latejada, como uma fisgada no membro que já não se tem, ou o revéz de um parto, ao arrumar o quarto de um filho que já morreu.
Mas a saudade quando invade o coração da gente, pega veia onde corria um grande amor; e não há conversa nem cachaça que dê jeito, nem amigo do peito que segure o chororô. Ô saudade da infância, da época que eu era esperança, que a gente corre, corre e nunca cansa. Ô saudade do abraço, do beijo, sorriso e amasso de quem carrego aqui dentro. Ô saudade, do pasto, do passo e do pato, o pateta que quebra a panela, o uni do dunitê. Ô saudade da maçã, da pera, da uva; da descoberta, da cama, travesseiro e coberta. Ô saudade dos velhos amigos, das velhas piadas, das velhas estórias. Na praça onde a gente namorava, mendigos na calçada e as chaves eu vou deixar numa sacola com as suas roupas perfumadas que me matam de saudade.
E ainda há quem diga que a saudade só castiga aquele que não sabe amar.

(Aos meus amores, minha saudade por vocês é a certeza de que nossos dias de glória, valeram a pena.)

Um comentário:

patricia disse...
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