15 de junho de 2008

Táxi Lunar.

_ Querida, o dia já amanheceu.
Acordar cedo lhe era uma raridade. Manhãs, para ela, eram fastiosas demais para que representassem algum valor. Para que ver o sol nascer, se este perdura por todo decorrer do dia? Só o efêmero a atraía. Quanto mais fugaz uma paixão, mas ardente ela seria. Quando mais curto um beijo, mais inesquecível ele se tornaria. Quem se sacia, priva-se do desejo. E que seria da vida sem desejos?
Por isso, as nesgas de claridade que lhe invadiam o quarto não possuíam beleza, eram apenas infortúnios. E o cantar tênue os pássaros, apenas rompiam o sublime silêncio da alvorada. Porque os pássaros não cantavam ao entardecer? Oh, doce tarde. O ápice das vinte e quatro horas – quase eternas – que preenchiam o vazio dos seus dias. Quentes, cheias duma luz firme. Não dessas luzes fracas que oscilam com qualquer rastro fino de nuvem. Mas a luz incandescente do meio-dia, que faz semi-cerrar os olhos ao mirar o céu, e lavar o rosto para secar o suor. Sim, a luz forte que logo dava lugar ao anoitecer. Oh sim, o horizonte todo pincelado em tons alaranjados... Como era bonito de ver os pedaços de sol escondendo-se detrás das montanhas.
E então, quando pensava ter esvaído do firmamento tudo que poderia despertá-la louvor, um olhar tímido, cinza-prateado, surge sobre a terra. É ela: a deusa dos amores impossíveis, que acende as chamas adormecidas, bombeadas por corações. A lua sim, era verdadeiramente bela. Tão bela que em apenas poucas horas, banha as ruas com seu fulgor, e enche de paixão os casais sentados à praça. Humilde, divide sua brilhância com outras crianças: aqueles pontinhos claros do negro que, carinhosamente, ela chamou de estrelas. E ainda, temendo enfastiar os amores com o marasmo da sua luz branca, a lua desaparece por um tempo. E mesmo quando todos parecem dormir, esquecê-la em sua penumbra, ela não chora. Apenas cresce, incha. E deslumbra até ser notada.
_ Deixa-me mamãe! Acorda-me apenas quando a noite chegar, pois correrei a beira mar, e esperarei por um táxi lunar.
_ Não seja tola, minha criança. Não existe esse táxi que dizes. Levanta-te e vai banhar-te de sol. Vai banhar-te de vida, menina!
_ Oh, então tu não sabes? Não es tu, minha verdadeira mãe. Eu sou uma estrela! Não te lembras quando eu cheguei por cá? Não te lembras duma estrela que caía quando imploraste aos Deuses por uma menina para criar?
_ Não te enganes, meu bem. Fui eu quem contou para ti essa estória. Não fantasies além da conta. Desgostas-te dos meus valores? Não me olhes desta forma. Oh, agora entendo! Queres deixar-me, desembestar pelas estradas como teu irmão! Não vês que meu coração não agüenta outro filho perdido no mundo? Tu não tens piedade da tua pobre mãe?
Ela quis decrescer devagar, tal qual a lua mingua para alcançar a fase nova. Era tão errado ansiar por outro mundo? Um mundo onde as criaturas brilham livres, e as que não brilham, vestem-se do brilho doutros. E os outros, sempre bons, não cobram dinheiro ou favores; apenas sorriam alegres com raios de puro cetim, por estarem disseminando em seu mundo, um pedacinho a mais de si.
Sentia-se, porém, mesmo uma tola. Como podia ser uma estrela, se não possuía brilho próprio nem irmãos para emprestá-lo? Sua mãe estava certa (mães estão sempre certas). Ela era mulher. Mulher de corpo, de carne. Ah! – um sorriso surgiu. Corpo, carne, mas não de alma! Ela nascera de um ventre, mas tinha alma de astro. Não podia seu Deus, dar-lhe, uma chance que fosse, de conhecer a lua mais de perto? Uma noite lhe seria mais que suficiente! Queria apenas olhar no íntimo dos olhos prata que a espiavam. E queria saltitar no algodão doce das nuvens, esconder-se nos buracos negros e inspirar poeira cósmica. Queria abraçar as estrelas e olhar a terra de longe. Os oceanos, tão azuis, vibrando, enérgicos, com a chegada da chuva.
Mas Deus não parecia ouvi-la, ou ouvia e não lhe dava importância. Estaria chamando-a de tola também? Oh! A chuva que banharia os rios, tornou-se salina, tocou-lhe o lábio. Era uma lágrima. Uma lágrima gelada de angústia, por saber que estrelas não choram.
_ Perdoa-me mamãe. Não hei de importuná-la novamente com minhas asneiras.
_ Isso! Levanta-te dessa cama e deixa que tanto alvoroço. Aceita-te de uma vez e acalma meu coração de mãe. Quero-te feliz, criança! Quero-te muito feliz!
Ser feliz? Em que consiste felicidade? Não são os sonhos que a constroem? Pois se assim for, a felicidade dela estaria agora em pedaços, e cingia mortiça sob seus pés, como cacos de vidro estraçalhado. E em cada estilhaço uma cor, uma imagem, um sorriso. As cores que, um dia, lhe tingiram o mundo; as imagens que, um dia, lhe ocupavam a mente; e o sorriso – aquele sorriso - que, um dia, lhe luzira nos lábios. Tudo, porém, se fora com a brisa. Todo o tudo que importava: os sonhos.
_ De que me vale viver agora, meu Deus?
Ela clamava aos céus. As lágrimas ressumando na face deixava-lhe vazia, como fosse sangue escorrendo por suas veias. E os pés, cortados do vidro infeliz, doíam conforme encontravam-se com areia fina. Lá estava ela, a beira mar, deixando-se guiar por tudo que lhe restava. Como é mesmo que chamam? Sim, esperança.
O horizonte, aos poucos, pincelou-se dum vermelho amarelado, e as aves, em bandos, voavam com o vento, buscando por seus iguais.
A menina, sozinha, secando uma gota cristalina vertente em suas feições cândidas de meninas, sentou-se defronte ao imenso azul que, em algum lugar no infinito, unia-se com o negro opressivo que se estendia para um grande abraço. Jogou uma pedra n’água, e círculos formaram-se nela. Um, outro, e mais um. Veio-lhe então uma dúvida: Não poderia ser ele - o mar - seu aliado? Ouvira dizer por aí, por bosques, ruas e avenidas, de uma célebre paixão secreta entre o azul-marinho e o prata-cetim. Seria, então, verdade quem eram amantes? Ou não passava de uma lenda?
Envolveu os próprios joelhos num abraço, e enquanto as lágrimas voltavam a jorrar, implorou, humilde, ao oceano.
_ Tu, poseidon, podes ouvir meu lamento? Leva-me contigo, eu imploro! Leva-me contigo ao firmamento. Prometo - e não duvides de mim - que enquanto for-me permitido viver, rogarei ao Senhor por ti, e pela paixão que faz mover tua maré.
Uma brisa mais forte soprou, e a água, antes quieta, do mar, se agitou.
A menina abraçou-se um pouco mais. Seria uma resposta? Teria o mar, ouvido seu lamento e testemunhado sua dor?
_ Eu sei que tu podes me ouvir! Tuas águas falam por ti! Eu prometo, oh mar! Prometo mesmo rogar por ti.
_ E o que te levas a pensar, criança, que tuas preces farão meu destino mudar? Se, embora tu vivas a orar, nunca conseguiste mudar o teu?
Respondeu o mar. E as ondas vieram banhar-lhe os pés. Estava certa, aquela voz. Como ela, menina que era, poderia fazer acontecer uma paixão alheia, se nem a própria paixão conseguira alcançar? Estava certa, aquela voz. Não havia mais sonhos, pelos quais pudesse lutar.
_ Não te culpo por duvidares da minha fé, pois até eu, que sou dona dela, sinto-me balançar. Porém, diga-me tu, que és tão maior e mais bravo. Porque a tua fé e a tua força, não trouxeram para ti, o teu amado luar?
Por um longo tempo, não houve resposta. E a grande lua, melancólica, que passou a espreitá-los, pela primeira vez, pôs-se a chorar. Chorou rios de raios prateados, que refletiam, sublimes, no espelho silencioso do mar. Reclamava, a mãe gentil, onde esse romance poderia chegar? Luz e água não se tocam! Deveriam, pois, resignar-se no destino ímpio que os designava a apenas se admirar.
A menina, não mais sozinha, chorou também com a alma pesada. Oh, o que sua loucura viera acarretar! A mais bonita das lendas dissipava-se em discussões, e tudo por uma mera tolice, que ousara questionar. E agora? O que seriam das noites, se todo brilho do luar escorresse pelos fios brancos que mergulhavam, ferozes, no mar? E o que seria dela, mulher, sem aquele belo olhar acalentando-a num sono brando e ensinando-a as graças de amar? Ou dela, estrela, sem o fulgor maior de mãe para ensiná-la a brilhar? Só agora via o quanto fora egoísta em arriscar o mais célebre amor do mundo, apenas para continuar a sonhar.
_ Não chores mais, oh! Lua. Não chores mais, meu caro mar. O erro foi meu em julgar tua fé, quando nem mesmo a minha consigo controlar. Porque fraquejam tão certo? Vamos! Digam-me! Não vêem? Não há motivos para lágrimas, pois o amor perdura para sempre, e caso não o saibam... A eternidade os pertence!
_ Quem és tu para falar do eterno, menina? Quem és tu para falar-nos de força? Não foste, justo tu, quem desistiu tão cedo dos teus desejos? Não eras tu quem tanto repudiava o tempo?
_ Sim! Sim! Não nego, minha mãe. Fui cega, oh! Como fui cega! Mas agora eu posso ver... O fugaz tem sua beleza, é verdade, mas o eterno... Oh, o eterno é divino! E se tu, por acaso, quiseres saber, meu coração acaba de inundar-se em esperança novamente. Meu corpo é pura carne. Não vê? Minha pele nada significa! Esperarei, pois, aqui, apreciando os nasceres do seu irmão, o sol. E um dia, tenho fé, me libertarei deste mundo que cá me encontro e adentrarei o teu, se assim for p’ra ser.
Os olhinhos pequenos encheram-se de uma ternura cintilante, que se fez maior quando, ajoelhando-se sobre os grãos de areia, juntou as mãos, cerrou os olhos e clamou aos céus numa oração.
_ Senhor, sei que tu, que tens tantos homens por quem zelar, cansas de tanto me ouvir. Faço-te agora, porém, o meu pedido final: Deixa-me aqui em meu canto, oh Senhor! Aprendendo a ser mulher. Deixa-me viver ofuscada na sombra, sem brilho e até mesmo sem cor. Mas poupa-me de carregar em meus ombros, a morte desse tão grande amor.
Os cabelos da menina dançavam ao sabor dos ventos que haviam vindo do norte apenas para testemunhar aquele momento. Todos conheciam aquela criatura pueril, que mesmo sem conhecer muito da vida, lhes era um exemplo de perseverança. Dentre todos os ambiciosos, fora ela, tão jovem, a mais obstinada. Quem já se viu gente querer ser estrela? Riam-se os planetas lá do alto.
Mas foi Deus, revolto num mar de anjos, que declarou o parecer.
_ Então é verdade que tu, após tanto suplicar, te abstém do teu maior desejo por um amor que, sequer, pertence a ti?
_ Não, Senhor. Abstenho-me do meu maior desejo por um amor que pertence ao mundo. Os homens afogar-se-iam em trevas escuras, sem um luar apaixonado para os guiar.
_ E não são as estrelas, a tua família? Porque te importas com o homem?
_ Fossem pedras, as prejudicadas, ainda assim, eu me importaria.
Os anjos - com suas pequenas asas golpeando o ar – sorriram ao seu Senhor. E uma melodia suave apossou-se do silêncio com versos fáceis que diziam mais ou menos assim:
Volta para nós, doce criança, que já sofreste por demais.
Voe junto com os pássaros, venha cá, encontrar seus iguais.
Mesmo na ausência dos sonhos, aprendeste tua lição.
Aprendeste que, o maior dos brilhos, fulge dentro do teu coração.
Harpas, violinos e violões. Fadas, elfos e Gnomos. Sois, luas e planetas. Mar, vento e areia. Todos pararam para testemunhar.
_ É um milagre! – Disse um anjo.
_ Não pode ser! – Replicou saturno.
Mas a menina, com o sorriso maior do mundo, começava a minguar, como houvesse uma cortina de nuvem, encobrindo-lhes o olhar. E ela diminuiu tanto, mas tanto, que transformou-se num único ponto. Um ponto claro, branco e brilhante, que, numa ascensão constante, emanava uma luz fraquinha, como uma rosa a desabrochar.
E não é que chegava, enfim, por lá, o tão esperado táxi lunar?
Dizem que a menina-estrela, depois de encontrar seus verdadeiros irmãos, dedicou-se em olhar por todos os homens: Seus irmãos coração.

14 de junho de 2008

Amor postal

meus olhos observam calados
teus sorrisos de quem nada sabe
teus dedos, teu corpo, teus traços
teu mundo que não mais me cabe
minha boca entao se entreabre
sedenta por seus lábios carmim
e minhas mãos fecham-se suadas
pelo olhar tu envias a mim
mas embora meus olhos te sorvam
e minha boca de ti, se sacie
não te desejo como outras desejam
quero apenas que tu me aprecies
deixa-me então, querido
tocar-te a pele, entregar-me à pelo
dê-me um sorriso e respire
depois beija-me em forma de selo.

11 de maio de 2008

Para minha mãe;

Shakespeare uma vez disse que com o tempo, a gente aprende a sutil diferença entre dar a mão, e acorrentar uma alma. Eu, entretanto, digo que o tempo necessário para esse aprendizado, se a resume nove meses. Não quaisquer nove meses. Os nove meses em que do nosso lado esquerdo do peito, há dois batimentos. Os nove meses em que nosso corpo responde aos estímulos de um outro corpo. E onde quer que esse corpo vá, nós vamos. O que quer que esse corpo sinta, nós sentimos. Nesse momento, acorrentar uma alma deixa de ser uma metáfora. No dia que nascemos, as correntes são quebradas, e dar a mão passa a ser uma conseqüência constante, afinal, é ela que nos segura quando encetamos nossos primeiros passos, e é ela que nos afaga, quando derramamos nossas lágrimas de criança. Mas aí, o tempo que tanto disse Shakespeare vem. Vem assolador; levando a infância, as bonecas, os carrinhos. Leva os desenhos animados mantinham-nos distraídos, e chegam os problemas – triviais, porém problemas – e é nessa hora, que descobrimos que a mão que nos acolhia era bem mais que uma mão. Era um colo. Um sorriso. Um olhar. Descobrimos que todas as vezes que acordávamos de madrugada... “Mãe, não consigo dormir” eram apenas pretextos para conferir se ela ainda estava ali. Firme e forte, para nos acordar na manhã seguinte e nos obrigar a ir pro colégio, nos obrigar a usar roupas agasalhadas, nos obrigar a dormir cedo. Lembro-me dos rabos-de-cavalo ao alto da cabeça. Eu, de fato, os odiava. Mas quando eu saía, vinha a repercussão. “Nossa que lindos cachos” ou então; “quem cuida do seu cabelo” e eu sempre respondia entre bufos e resmungos... “Foi minha mãe.” Não sabia eu, que mais tarde (hoje) eu sentiria tanta falta de ter os cabelos presos pelas mãos que sempre me foram tão afáveis, dos braços que sempre que envolveram, quentes, como uma crosta espessa de gelo, me resguardando do fogo do mundo. Dos problemas grandes (que eu ainda não enfrentei). Mas sabe de uma coisa? Eu sei, que não importa o quanto o céu esteja escuro; ou o quanto tudo pareça perdido. Quando eu precisar de ajuda, de conselhos, de abraços; ou simplesmente chorar... Ela vai estar lá. No meu quarto preto e branco, na minha cama quadriculada... Me esperando para dizer com seu carinho habitual: Vai passar minha filha. Tudo vai ficar bem.

Mãe, eu sinto tanto a sua falta.
Mas eu sei, que por mais que os quilômetros nos separem, nós estaremos sempre juntos. Porque das correntes que partiram, restou o grande amor que nos une. Feliz dia das mães, minha mãezinha!

2 de maio de 2008

O que ela quer.

E então livrou-se dos sapatos. Gostava de sentir a carícia da terra em seus pés, e o toque da brisa em suas feições. Um sorriso plácido luzia em seus lábios avermelhados, levemente contornados por um batom em tons escarlate (mais por hábito que por vaidade), enquanto deixava-se caminhar rumo ao encontro do verde com o anil. O panorâmico toque do oceano ao céu. A célebre paixão entre o luar e o mar.
Rumava para destino ímpio e vacilante, que visto do alto, mais parecia um ponto incerto. Girando, girando e girando, para nunca parar. E porquê não pára, nem sequer existe. E se não existe, porque o procura? Ela não se importa. Ela não quer saber. Apenas quer sentir o vento permear da alma. A chuva molhar o corpo. A morte soterrar a vida. Tudo... ao seu tempo.

23 de março de 2008

Hidden Palms

Meu vício.

Olha só que coisa mais linda o sorriso do Johnny do final *-*

Essa era pra ter sido a melhor série de todos os tempos, mas os americanos são burros e não sabem fazer as escolhas certas. Eu queria postar um vídeo de Inuyasha, a coisa mais linda do mundo, eu até chorei vendo - sim, eu sou sensível, e daí? - mas ia demorar para baixar, e eu estou ficando com sono. Já basta esse que é bem grandinho e ainda está em 3M dos 39 total. A pergunta é: o que eu vou ficar fazendo enquanto espero carregar? Eu sempre acabo escrevendo besteira demais quando tenho muito tempo de sobra; é que eu só funciono - leia-se: penso - quando estou com pelo menos um pouco de pressão. Por exemplo, semana passada eu queria escrever sobre coxinhas ._. Eu sei que não existe filosofia nisso, mas poxa, você sabe quanta fritura há em uma coxinha? e você tem ideia do quanto isso faz mal para a saúde? Já diria meu lindo professor perônio - digo, Baraúna: nós temos que comer pensando nas veias que serão entupidas mais a adiante. Até porque, quando a velhice chega, todos os problemas começam a aparecer, e até unha encravada parece que dói mais. Não, eu não estou falando isso por experiência própria, você não leu o endereço do blog? dezessete e poucos anos :) O 'Poucos' é para que daqui a alguns meses o nome não esteja desatualizado, mas atualmente eu tenho apenas belos e bem vividos dezessete anos e, para minha sorte, a idade ainda não me alcançou. Espero que demore... Mas sei lá, o mundo ta todo estranho, todo precoce. Se tem menina engravidando com 11 anos, o que me impede de ficar velha aos vinte? Até porque eu já arranquei exatamente 16 frios de cabelo branco - sim, eu conto -, será um sinal? Não sei. Ou melhor, eu não sei de NADA às uma e trinta da madrugada. Eu deveria estar dormindo. Merda, minha consciência está pesada agora :x Acho que vou estudar e deixar o vídeo carregando, parece mais produtivo do que ficar escrevendo bobagens. Ninguém vai ler mesmo! A menos que eu saia passando o link para todo mundo como aquela galera chata que passa o dia implorando para você comentar no blog/flog merda dela. Deus, como eu odeio gente inconveniente, quando eu quero comentar na pagina de alguém eu mesma procuro por conta própria. Esqueci o porquê deu ter começado a falar nisso, e de fato estou com preguiça de reler para ver do que eu estava falando antes dessa súbita fuga de tema. Se fosse uma redação do vestibular eu estaria perdida. Credo, estou ficando psicótica... Tudo culpa do GGE, prontofaley.

22 de março de 2008

Vamos falar de saudade;

Fagner disse um dia que saudade não se explica, que bate no coração e fica, fica dentro do peito, fica um cheiro, um cheiro de alguém da gente, que arde e dói bem diferente. Uma vez eu li que saudade é uma pagina arrancada, o soluço de uma amada, um navio a naufragar. Mas Chico, o nosso buarque de todos os dias, nos disse em melodia que saudade é um pedaço, uma parte do que ja foi todo. A metade amputada que dói latejada, como uma fisgada no membro que já não se tem, ou o revéz de um parto, ao arrumar o quarto de um filho que já morreu.
Mas a saudade quando invade o coração da gente, pega veia onde corria um grande amor; e não há conversa nem cachaça que dê jeito, nem amigo do peito que segure o chororô. Ô saudade da infância, da época que eu era esperança, que a gente corre, corre e nunca cansa. Ô saudade do abraço, do beijo, sorriso e amasso de quem carrego aqui dentro. Ô saudade, do pasto, do passo e do pato, o pateta que quebra a panela, o uni do dunitê. Ô saudade da maçã, da pera, da uva; da descoberta, da cama, travesseiro e coberta. Ô saudade dos velhos amigos, das velhas piadas, das velhas estórias. Na praça onde a gente namorava, mendigos na calçada e as chaves eu vou deixar numa sacola com as suas roupas perfumadas que me matam de saudade.
E ainda há quem diga que a saudade só castiga aquele que não sabe amar.

(Aos meus amores, minha saudade por vocês é a certeza de que nossos dias de glória, valeram a pena.)

17 de março de 2008

Sorrisos;


Uma menina, passeando com seu cachorro, sorriu para um estranho que esperava impacientemente um ônibus passar. O estranho achou-a simpática, correspondeu o sorriso e esqueceu-se da impaciência. Minutos depois, o ônibus passou. O estranho cumprimentou o motorista e sentou ao lado de uma senhora amargurada. Sorriu para ela o mesmo sorriso da garota, e a senhora, que lamentava a perda recente de um filho em um acidente de transito, lembrou-se de como seu primogênito costumava lhe sorrir. Pensou que talvez, onde quer que ele estivesse, não quisesse vê-la triste pelos cantos. Um meio sorriso crispou os lábios da senhora naquele instante, que beijou a testa do estranho e agradeceu-o por tê-la feito recordar o que seu filho realmente desejaria. Eles trocaram algumas palavras, e ela desceu do ônibus. Chegando em casa, deparou-se com um moleque de rua dormindo defronte à sua porta. Ela, o convidou para tomar uma xícara de café com torradas. O garoto, muito grato, sorriu como há muito não sorria e foi-se embora satisfeito. Enquanto atravessava a rua para voltar ao seu antro, sob viaduto, avistou uma menina correr entre os carros, atrás de um pequeno cachorro. Ele correu. Salvou o cachorro e a menina, que chorava, limpou as lágrimas e lhe sorriu o mesmo sorriso que fizera o estranho sorrir para a senhora, e o mesmo que fizera a senhora ajudar o garoto, tal como o que fez o garoto ajudar a menina. Ele entregou-a o cachorrinho e voltou para casa a cantarolar. Por instantes esquecera da miséria que se passava em seu lar, das noites em que seu pai voltava embriagado, dos dias em que sua mãe soluçava em prantos... Pela primeira vez ele sentia que podia fazer algo bom. Ele tinha esperança. Ele sorriu esperança.

28 de fevereiro de 2008

12 de dezembro de 2007

Conversa pra boi dormir.

“Não tenho medo do escuro, mas deixe as luzes acesas”
(Tempo perdido – Renato Russo)

Não consigo ouvir esse trecho dessa musica sem me lembrar das Meninas Super-Poderosas - tudo a ver, eu sei hahaha. É que eu lembro de um episódio em que a lindinha estava irritada, porque ninguém acreditava que ela era “osso duro”, só porque ela era sensível, delicada e tinha medo de coisas bobas. Daí ela resolveu provar pra todo mundo que podia ser muito osso duro, e começou a fazer isso dizendo que não tinha mais medo de escuro. Mas enfim, ela tinha e isso era fato, tanto que ela não conseguia dormir quando o quarto ficava completamente escuro.
Mas afinal, ter medo é ser fraco? Ser sensível é ser fraco? Eu sou contra essa teoria. Fraco não seria quem não assume que é sensível e quem não enfrenta seus medos? Acredito eu que os medos mais bobos são os piores medos. É muito mais fácil dizer “eu tenho medo da morte” do que dizer “eu tenho medo dos monstros do meu guarda-roupa”; afinal, muitos têm medo da morte (apesar de que eu, particularmente, acredito que a morte é como o nascimento, depois de 8 meses em uma barriga uma criança precisa nascer, da mesma forma, depois de uns bons anos de vida a pessoa precisa morrer. Parece justo, não? Mas deixemos isso para um outro momento) e ser igual é fácil, difícil é ser diferente e assumir que se é assim e pronto.
Então, viva a Lindinha que é OSSO DURO!

Ps: Isso me fez lembrar de um amigo que me chamava de Lindinha.
Ps do ps: Ok, comentário desnecessário, mas pelo menos agora vocês (quem?) sabem que um amigo meu me chamava de Lindinha.

11 de dezembro de 2007

Aos Dezessete.

"E aos dezessete anos aprenderemos a viver, a procurar as coisas que nos fazem bem" (Night Angels)

Aos dezessete nós conhecemos as tentações da vida, o desejo de ter, de ser, o não poder, o achar que é certo, grande e forte, a busca por uma identidade própria, um referencial, a luta pra conquistar um espaço, para ser ouvido, compreendido, o medo de rótulos, o medo do começo, do meio e do fim, o descobrir do corpo, da alma, as responsabilidades, as cobranças, as decepçoes, os sonhos distantes, os corações partidos...

Só sei que não é facil ser como sou, na época que estou, do jeito que vou!


Quem me segue (se perde comigo)