17 de agosto de 2009

Teorema do copo d'água.

Assistindo Mais Você, eu ouvi algo interessante. Ouvi que, se você segurar um copo descartável [do pequeno] com água, você vai achar ele leve. Claro, porque ele é realmente leve. Entretanto, em segurando esse mesmo copo por duas horas, por exemplo, sua mão vai começar a ficar dormente, seus dedos vão começar a fraquejar, e aquele copo de água, que era leve, vai ficar gradativamente mais pesado. Agora imagine segurar esse copo de água durante dias/meses, sem soltar por nenhum instante? Vai chegar um momento em que ele vai ficar tão pesado que você não vai mais suportar. Sua mão vai ficar incontrolavelmente lânguida e o copo vai cair, provavelmente provocando uma bela lambança.
Eis pois o que acontece com todo peso que decidimos carregar conosco por tempo indeterminado. Seja um medo, uma preocupação, um segredo, tudo que exige de nós um certo esforço, mesmo que a princípio pareça pouco, nos desgasta se prolongado demais. Por isso, eu agora estou largando os pesos. Vou colocar meu copo de água sobre a mesa, e só vou pegar quando estiver com sede.

11 de agosto de 2009

Long Nights

Às vezes eu tenho a sensação de ser apenas uma telespectadora da minha própria vida. Parece que estou sentada em uma poltrona, de onde assisto meus erros e acertos, sem controle remoto nem nada. É como se eu não tivesse o poder nem a disposição de mudar o curso das coisas, mesmo que elas me incomodem.
Ando tendo muita insônia, e isso não me parecia errado, até eu parar e pensar no porquê. Porque não consigo dormir, mesmo quando meu corpo está cansado e minha mente está exausta? Porque não consigo repousar minha cabeça no travesseiro e só acordar com o sol? Pensando, cheguei a uma conclusão: me falta o sentimento de dever cumprido.
Não importa o quanto eu estude, ou o quanto eu siga os planos que tracei para meu dia, sempre falta alguma coisa. É que eu ando meio sem rumo, insatisfeita como o que venho me tornando. Não tenho mais certeza do que quero pra mim. Nem sequer tenho certeza do que não quero.
Tem dias que quero passar a vida escrevendo, tem dias que quero escrever uma vida nova. Sem essa rotina desgastante que vem me sufocando. Sem precisar estar cercada de livros que odeio ler, ouvindo histórias que já me foram contadas, voltando pelo mesmo caminho que me trouxe até aqui.
Sinto como se estivesse estacionado no tempo. Não cresci, não amadureci, não aprendi com minhas falhas. Os erros que eu cometo ainda são os mesmos, a diferença é que agora eu já os conheço bem, e tenho sempre um bom argumento para justificá-los.
Me pergunto se isso é apenas uma fase, uma TPM fora de época, uma inquietação provocada por alguma frase que li em um outdoor. Porque eu tenho dessas coisas... escuto algo e penso que não dei importância, mas depois de um tempo percebo que aquelas palavras ficaram ecoando na minha cabeça, como um CD arranhado que não para de tocar.
É estranho, porque pela primeira vez não se trata de amor. Aliás, o amor é tudo que eu tenho de mais certo agora. É o que me ampara e suporta os meus defeitos de fábrica. O amor em todas as suas mais variadas facetas.
É, esse post não é sobre paixão, sobre pressão ou depressão. Eu não estou infeliz, não estou irritada e nem preocupada. Estou apenas confusa, perdida diante da incerteza do meu amanhã. Se houver amanhã.

Raimundo

Podia ser João, José ou Roberto; mas olhando pra ele, acho que é Raimundo. Os olhos são sagazes, embora transmitam cansaço e pesar. Os pés, descalços, estão cheios de calos; e eu me pergunto por quanto asfalto quente ele já não caminhou.

Eu gostaria de saber da história de Raimundo, mas não tendo coragem de perguntar, eu invento. Não que eu tenha medo dele, dele não; tenho medo de descobrir que ele está aqui porque matou alguém e fugiu pra não ser preso - ou qualquer coisa do tipo. Tenho medo de descobrir que toda essa penúria é conseqüência de uma única escolha errada, cuja responsabilidade cabe apenas a ele. Tudo fica mais difícil, se não podemos culpar ninguém. E pra que deixar as coisas ainda mais difíceis do que já são?
Por isso, eu gosto de inventar. Olho pra Seu Raimundo e penso que ele está esperando alguém. Um grande amor, talvez. E ele está com medo de que ela apareça justo quando ele for embora. E, temendo, fica sempre aqui, nessa praça, debaixo de chuva e sol. Sem reclamar.
Enquanto espera, Raimundo também inventa histórias. Quando chove, ele inventa que Luísa - Luísa parece um bom nome para um grande amor - está presa por causa da enchente. Quando faz sol, é culpa do carro que quebrou no meio da estrada e está difícil de consertar.
Raimundo às vezes chora, quando não tem ninguém passando. É a tristeza de pensar que talvez Luísa tenha sido mordida pelo bicho da morte. É, pra Raimundo a morte é que nem bicho; uma fera traiçoeira, perversa, que fareja o medo à quilômetros de distância. Por isso, quando bate aquele aperto no peito, ele volta os olhos pro firmamento e pede força pra enfrentar a fera e suas crias: a fome, o frio, a doença, e ela, a filha preferida da morte - a desistência.
E assim Raimundo vai vivendo. Quando os pés doem demais, ele deita e fica olhando pro céu [ele prefere fazer isso a noite, quando há um milhão de estrelas brilhando para ele, igualzinho aos olhos de sua amada]. Quando a fome aperta, ele pede uma ajuda. E quando é a saúde que balança, ele bebe das lágrimas de algum Deus complacente, que caem sobre ele disfarçadas de chuva. No frio, ele imagina os braços de Luísa à sua volta, e como mágica, o sangue se aquece, e a pele é chaminé para o calor da esperança, que se renova sempre pra que ele não desista nunca.

Boa sorte, Raimundo. Boa fé.

9 de agosto de 2009

Eu fiz de novo!

Aquilo, de falar as coisas sem pensar. ou de falar tanto que no final eu já nem sei se o que eu falei era o que eu pensava no começo. Alguém por favor me coloca no silencioso? Quero um botão que me desligue, que me mantenha no automático e me faça parar de questionar. Quero, pelo menos uma vez, me deixar levar.

24 de julho de 2009

Chuva traga o meu benzinho...

Pois preciso de carinho!

Sabe aquelas cenas de filme? A garota entra no mesmo local onde já esteve com o rapaz. Um local aparentemente comum, mas que, quando ao lado dele, parecia que tinha chão de núvens, e as músicas que tocavam pareciam se encaixar perfeitamente no que sentiam, no que pensavam, e faziam encaixar perfeitamente um corpo no outro pra dançar bem juntinho a noite toda.
Dessa vez, no entanto, ela está sem ele. O lugar é o mesmo, as paredes são as mesmas, mas parece tão vazio! Nem todas as centenas de pessoas se empurrando o tempo inteiro conseguiam fazer passar aquela sensação de vazio, de espaço demais, de gente invisível por todo lado.
A garota, então, fecha os olhos. E uma espécie de flash passa pela cabeça dela... Por um instante, ela quase pôde sentir novamente os braços dele em volta do seu corpo, e quase pôde sentir o gosto do beijo, que é tão bom que até o gosto amargo de chopp parece deliciosamente atraente.
Acontece, porém, que alguém chama por ela. E todas as imagens se desfazem no ar como se fossem feitas de fumaça. Ela fica triste quando percebe que estava apenas sonhando acoradada, e pensa que seria ótimo se pudesse viver tudo novamente. Mas não, ela muda de idéia. Ela quer é mais tempo para muitos novos momentos como aquele.

20 de julho de 2009

ainda acordada...

eu penso agora nos amores que tive, nos amores que perdi. penso nas lágrimas que derramei, na tristeza que um dia senti. penso em quantas vezes eu já não acreditei que fosse o fim, quantas vezes eu não pensei em desistir. penso naquelas noites, como essa, sem conseguir dormir; e penso naquelas manhãs em que eu não quis acordar. penso e, pensando, lembro das tristes despedidas, do abraço apertado na partida, do sorriso caloroso na chegada. lembro dos dias que amanheceram cinzentos e que, mesmo fechados para qualquer raio de luz, foram palco de muita brincadeira e muito riso sob a chuva. lembro dos sorvetes, dos chocolates, dos trabalhos escolares. lembro das brigas, dos desabafos, dos abafos, dos sacrifícios. lembro das noites perdidas de papo pro ar, a promessa de ver o sol raiar; os pés descalços, cansados de dançar. sim, eu lembro das danças, das tranças, dos penteados iguais. lembro das criações, confusões e confissões. lembro das paixões de colegial, do primeiro selo, do primeiro beijo, dos primeiros carnavais. lembro das cartinhas, das cartilhas, das partilhas de roupas, escova de dentes e amor. penso nos filmes, nas pipocas, e mais chocolates, e mais trabalhos. penso no desespero, nas viagens, nas trilhas sonoras; naquela música que até hoje, quando toca no rádio, me dá vontade de chorar. lembro do braço aberto, do colo pra chorar.... das ligações e mais ligações, e das transmissões de pensamento, de sentimento; penso no tormento que é não poder ligar, nem falar, nem perguntar se fulano finalmente vai se declarar. penso em como a felicidade de alguém pode ser o bastante pra me deixar feliz também, e em como um sorriso só sorri por tantos além. não importa se é vibrando, chorando, cantando, reclamando, ou clamando a Deus um pouco mais de paz. não importa se está longe, ou se está perto. não importa raça, religião ou gosto musical... amigo que é amigo, é amigo de verão a verão, em qualquer estação, mesmo que seja de trem. [um feliz dia dos amigos para todos, e obrigada aos meus amigos. que estão em mim, que estão comigo!].

Nota de observadora:

Pra dois posts numa só madruga, só há duas explicações prováveis: ou eu estou tendo outra crise de insônia, ou estou preocupada com alguma coisa. No entanto, meus olhos estão quase adquirindo gravidade própria, e o sorriso em meu rosto parece abolir qualquer possibilidade de preocupação. O problema é que as vezes eu tenho a impressão que não posso rir tanto riso assim à toa. sinto como se, a qualquer minuto, o universo fosse cobrar um preço por toda essa felicidade.

Detalhes

Nenhum olhar jamais me fez sentir tantas coisas ao mesmo tempo. Um misto louco de medo, vergonha e desejo, uma estranha vontade de atravessar o vidro dos olhos para chegar à retina que me imprime exatamente como sou, e reprime toda a coragem que um dia eu tive. De repente, minhas pernas ficam frouxas, e as palavras que eu ensaiei para falar saem aos tropeços ou, na maioria das vezes, simplesmente não saem.
O rosto quente me faz sentir um pouco mais segura, como uma comprovação de que não sou só eu que estou a flor da pele. Mas a verdade é que a flor da pele também desabrocha, e apenas aquelas mãos sabem a medida exata de força e delicadeza que as pétalas necessitam para tornarem-se vivazes o bastante para suportar as tempestades e as ventanias.
Um sopro ao pé do ouvido aquece quando o tempo esfria, e refresca quando o calor invade o ambiente e o corpo, o corpo todo que se embala pra lá e pra cá. Os braços abarcam meus braços, como um barco que navega num mar de ondas mansas, que leva todo o passado, e deixa de presente o presente, que se arrasta pra não ter que passar.
Por fim, os corações conversam; um tambor batendo dentro do peito, dizendo que agora não tem mais jeito, é sentimento demais pra acabar.

7 de julho de 2009

Plenitude

Eu estava decidida a não me apaixonar de novo. Meu coração estava fechado para reforma e só retornaria revestido com DNA de lagartixa. De que outra forma ele poderia sobreviver a tantas quedas, tantos cortes, tanta falta das tantas partes que tantas vezes partiram [e partiram-no]? Mas algo inesperado aconteceu. Um desses eventos aleatórios que costuma não dar em nada, mas que quando dá, revira nossa vida e deixa tudo de pernas pro ar. AR! É como voltar a respirar livremente, sem tubos de solidão para estimular a auto-piedade.
Mas gato escaldado... sabe como é. O coração hesitou, apertou, gritou; o coração teve medo de partir-se de novo, pois estava quase deixando de ser coração pra ser colcha de retalhos. E em nome dele, eu resisti; quis ter certeza de que não havia um abismo entre as nuvens, e até tentei trancafiar o pensamento - mas ele, que nem vento, me escapou. Acontece que quando o amor surpreende, o coração amolece, o coração se rende. E se houver qualquer abismo nessa estrada, eu vou voar.

2 de julho de 2009

Não há de ser nada.

Mas às vezes eu me sinto como se nunca estivesse a altura daqueles que eu amo. Por mais que eu me esforce, nada que eu faça é suficiente; sempre acabo magoando alguém e sendo acusada de fria e seca por isso. Eu confesso que tenho uma certa dificuldade de demonstrar meus sentimentos, mas não acho certo que me julguem e me condenem por isso. Não dizer não significa não sentir. Será que ninguém sente o calor da minha alma quando me abraça? Tenho medo de que estejam certos sobre mim. Tenho medo que eu seja mesmo impenetrável. Mas como por ser fria quando há tanta vida queimando dentro de mim?

Quem me segue (se perde comigo)